quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Era uma casa muito engraçada...

É tempo de mudança. Hora de olhar para a frente, virar a página e começar a escrever um novo capítulo das nossas vidas.
Mas hoje, vendo tantas memórias sendo guardadas em caixas, impossível não sentir a nostalgia que se encaixa nos espaços vazios dessa que foi a nossa casa.
Minha casa, meu lar. Minha referência por tantos e tantos anos.
Agora olho ao meu redor e já sinto uma enorme e avassaladora saudade de tudo o que vivi, de tudo o que vivemos.
Cada cantinho me conta uma história. E nesse momento de despedida, me apego às lembranças desse pedaço pequeno de mundo que já foi um dia meu universo completo.
Sorrio ao lembrar das madrugadas que eu passava com a Roberta, tagarelando sobre tudo e sobre todos, absolutamente alheia aos ovos que os vizinhos jogaram esperando que parássemos com o barulho.
Posso até ouvir o som da Rocka Billy ensaiando na antiga sacada. Do lado de dentro, pregada na parede, uma capa de caderno com a turma da Mônica vestida ao melhor estilo Rock'n Roll. Thiago Leiria, André Petrovick, Alcio e tantos outros se divertindo ao som de Susy Lelé.
Olho para a escada e lembro do Affonso, do Artur e do Gustavo correndo pro andar de cima para fugir de mim e da minha alergia ao salgadinho de pizza.
Corro os olhos pela sala e quase consigo ouvir as vozes dos piazitos inventando alguma forma inovadora de revelar o amigo secreto.
O sofá me traz a lembrança do colo e do cafuné da mamãe. 
Lá fora, a churrasqueira que já não é utilizada há tempos, traz o cheirinho do churrasco de domingo, que quase caiu no esquecimento.
Ah, casinha. Tu que já foi QG da equipe campeã da gincana do Bom Conselho...
Saudade da época em que fazíamos "concentrações" antes das festas e perdíamos a hora de sair.
Saudade de ser esquecida no colégio pelo Thiago e voltar na "cacunda", quando ele finalmente lembrava de me buscar.
Saudade da infância abraçada por esse bairro, por essa vizinhança cercada de bons amigos.
Mas é olhando para a mesa, que sinto meu coração apertar. Imediatamente ouço as gargalhadas sonoras tão comuns nos nossos almoços. Não importava o dia, estávamos sempre ali almoçando juntos, nós sete. Era a hora mais feliz do meu dia e a lembrança mais preciosa que vou guardar de ti, casinha. Almoçando  todos os dias aqui, nos reconhecíamos como família na mais ampla acepção da palavra. E confesso: Se me fosse dado o direito de reviver um momento do passado, só um, certamente eu voltaria àquela mesa em um dia qualquer entre 1990 e 2000.
Não é fácil te deixar para trás. Mesmo sabendo que o que vem pela frente vai ser muito bom, ainda sinto o vazio...
E talvez eu sinta ciúmes de quem vier a te ocupar, mas desejo que alguém possa aqui ser tão feliz quanto eu fui.
Agora é adeus. Essa que já foi a casa dos meus avós, a casa dos meus pais, a nossa casa... passa agora a ser só a casa da Benjamim. 
Obrigada minha amiga, por me acolher tão bem. Toda a sorte com os novos. 
Prometo te guardar para sempre na memória. E para que não sintas tanto a minha falta, deixo aqui também um pedacinho de mim.

domingo, 8 de janeiro de 2012

O tempo que leva

Entrei recentemente em um processo de elaboração de tudo o que eu vivi até hoje.
Devo dizer que não é tarefa fácil essa de pensar sobre a vida e sobre as escolhas que fazemos ou que deixamos ela - a vida - fazer por nós. Para mim, em especial, tem sido talvez a decisão mais árdua dos últimos tempos: me permitir sentir tudo o que eu tenho deixado guardado há tantos anos.
Sempre ouvi dizer que o tempo cura qualquer ferida.
Bem, isso não é exatamente verdade. O que talvez cure, e isso eu só vou poder dizer no futuro, é a análise dos acontecimentos e do que eles transformam em nós.
O tempo, por si só, ajuda a aceitar as cicatrizes. Ajuda a maquiar, a disfarçar a verdadeira dor. Mas assistir o tempo passar sem pensar sobre os "porquês" e sobre o quanto cada fato do dia nos atinge, é nada mais do que ele, o tempo, perdido.
Percebi que durante os meus 29 anos eu tenho desperdiçado esse tempo.
Vivi em uma luta feroz comigo mesma pra mostrar que eu sou forte, que eu sou diferente dos exemplos que tive e que eu posso sair ilesa de qualquer coisa que me aconteça.
Bem, isso também não é exatamente verdade.
Acho que essa foi a minha forma de continuar vivendo apesar de tudo e, embora tenha funcionado até aqui, é chegada a hora de tentar algo novo.
E a vida é mesmo uma caixinha de surpresas. Basta abrir a porta, bastou eu me permitir e, aqui estão, todos os sentimentos que eu guardei em uma gaveta do meu pensamento. E diferentemente de comprovantes que desaparecem, esses sentimentos estavam bem ali onde eu deixei.
Agora a proposta é essa. Vou viver cada um deles. Vou chorar e rir com cada um deles no meu tempo de agora. Vai ser difícil, porque sei que vou estar sozinha. Ninguém vai entender se uma lágrima correr agora por algo que eu "superei" lá atrás. Mas eu vou entender quando ela secar.
E utilizando a metáfora que me disseram, talvez eu pague agora com juros a "fatura" dos sentimentos que eu negligenciei. Mas quando eu quitar essa dívida, vou estar no momento certo da minha vida. Vou estar onde eu quero chegar. E sendo assim, não me importo em usar todas as minhas economias da vida pra pagar essa conta.
Mas o engraçado disso tudo, é que agora que eu me permito sentir, que eu me permito ser fraca e admitir, e aceitar essas fraquezas, me sinto também mais leve.
É bom não ter que provar mais nada. É bom desmoronar.
Só assim posso me reconstruir ao invés de me consertar. 

domingo, 6 de novembro de 2011

Realidade Romanceada

Certa vez, em uma data não muito distante, uma amiga me disse que meu mundo, esse do jeito que eu enxergo, só existe nos meus sonhos.
Calmamente, me foi explicado que é preciso um pouco mais de praticidade na vida. É preciso viver o que é real, sem transformar tudo em romance, em novela.
Na hora eu pensei. Refleti por algum tempo sobre as palavras e percebi que eu tenho mesmo a mania de transformar a realidade em algo um pouquinho mais acolhedor do que realmente é.
E essa descoberta me levou a pensar se é bom ou ruim ser assim.
Não é que eu fuja o tempo todo da vida real. Não fujo. Mas sim, por vezes eu dou uma colorida e levo pro mundo de faz-de-conta.
Isso faz com que muitas vezes eu perca a credibilidade ao aconselhar. Se digo que vai ficar tudo bem, nem sempre sou levada a sério. Mas no mais das vezes, fica mesmo tudo bem.
E não adianta, por mais que eu me esforce, tenho uma tendência à utopia.
Lembro que ainda pequena, minha mãe costumava dizer que eu vivia em um mundo de sonhos. Ela nunca me disse que eu deveria acordar, mas alertou que isso talvez me fizesse sofrer algum dia.
Sim, essa mania de romancear já me complicou. Mas também já me descomplicou muitas vezes.
Nas maiores dificuldades, tento ver as coisas como deveriam ser. Projeto pro futuro a solução do meu problema, sempre certa de que se é pra sonhar, vou ter o sonho mais belo. E se a direção é minha, eu escolho o final.
E a vida responde sim aos meus sonhos. Nem sempre é no tempo que eu quero, mas ela tem respondido sempre.
Recentemente, recebi por e-mail uma dessas tantas respostas a perguntas que vivi no meu passado e projetei no meu futuro de sonhos. E isso tornou tudo mais fácil.
Afinal, qualquer realização passa por essa fase de pré-concepção até virar a "realidade" que me mandam viver.
No mais, essa ilusão é o que me faz quem sou. E ainda que eu quisesse, hoje tenho certeza, não conseguiria ser diferente.
Se te sobra realidade, fica do meu lado e eu te ajudo a sonhar.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Aquele olhar.

Tem pessoas que conhecemos da vida inteira mas não conhecemos realmente.
E tem outras, particularmente mais interessantes, que se mostram em minutos. Não é fundamental tanta conversa, basta um olhar sincero.
As pessoas podem nos enganar de muitas e muitas formas. Mas o olhar não mente.
E é esse olhar que me leva a escrever hoje.
O olhar que me pegou pela mão em um momento delicado. Olhar curioso, que me fez falar sem questionar nada. Não concordou com a cabeça, só seguiu olhando. Sem piscar.
Olho no olho, me fez sentir melhor como num passe de mágica. E me levou pro mundo do que pode ser daqui pra frente.
Não é um olhar pretensioso, só um olhar tranquilo. Esconde ali atrás, despido de joguinhos, um sorriso de canto de boca. E me diz o que pode ser, se eu quiser.
Ele não fala, mas eu entendo.
Argumento, traindo meu próprio olhar.
Mas ele segue olhando e eu me entrego.
Ele sabe, pelo meu olhar, que o coração ainda não é livre.
Mas sem palavras, me diz que não importa: Em breve será.
Livre pra ser o que tiver que ser. E mais nada.
Com tudo isso, juntos e só por esse momento, fechamos os olhos.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Internet x Romance

Didi estava cansada das desilusões amorosas que a vida lhe apresentava. Não sabia mais onde procurar o amor e já se via quase sem esperanças de encontrá-lo.
As amigas, já exaustas de tantos tropeços, incentivaram:
"Didiiii, porque não te inscreves em um site de relacionamentos?"
Ela pensou por um instante. Confusa entre a vergonha de não conseguir ninguém por meios próprios e a esperança de ali encontrar seu príncipe, acessou o lovestory.com do seu aparelho BlackBerry.
Cadastro feito, começou a receber os "currículos" dos pretendentes.
Fez uma seleção rigorosa: idade, peso, altura, manias, taras e afins.
O escolhido foi Kadu.
Imediatamente, foi atrás de fotos do candidato aprovado. Mas, apreensiva, descobriu nas letrinhas miúdas dos Termos de Uso do site lovestory.com que não é permitida a troca de fotos entre os futuros casais. O objetivo é que as pessoas se conheçam e possam se gostar ou não, livres de imposições sociais. Uma idéia de como o amor deve ser em um mundo ideal - o que só se consegue mesmo na internet.
Didi não gostou da idéia de estar se correspondendo com alguém que podia ser desdentado, vesgo ou com o cabelo verde.
Mas Didi é uma mulher carente... esqueceu os riscos e acreditou que ele era belo, forte e cheiroso.
Kadu foi encantador desde o primeiro e-mail. E quanto mais eles se correspondiam, mais bonito ele ficava na imaginação dela.
Nos encontros semanais com as amigas e com a terapeuta, Didi não mais sofria de solidão. Detalhava as conversas virtuais com Kadu e até uma forma nova de sexo que sua geração pouco conhece.
Didi sentia que estava em um relacionamento de verdade. Mais real do que todos que tivera e, certamente, mais intenso.
Decidida, resolveu propor um encontro com o amado. Poderou que há meses vinham "namorando" e que era hora de dar o próximo passo, apressando-se em dizer que não se tratava de casamento, apenas contato físico.
Kadu titubeou. Perguntou se ela achava mesmo necessário. Contou sobre o medo que tinha de estragarem tudo e eles virarem só mais um casal no mundo, como tantos outros que existem.
Mas Didi insistiu e disse que se ele amava ela, era tempo de provar.
Maracaram no OdesBar, quinta-feira, 20h.
Ele esaria de calça jeans e camiseta verde musgo. Pra não ter erro, disse que vestiria seu all star laranja. Fácil de identificar.
Ela iria "direto do trabalho", "nada de produção", estaria de saia, meia-calça e blusa pretas. Pra não ter erro, disse que vestiria sua jaqueta de couro laranja. Assim eles combinariam.
Mas... Didi é mulher.
Insegura e um pouco influenciada pela vida real - aquela que dita padrões de beleza, de relacionamentos e de cortes de cabelo - trocou o modelito na última hora. Vestiu jeans e camisa branca.
Em voz baixa repetia pra si mesma a desculpa que daria assim que encontrasse Kadu de camiseta verde-musgo e all star laranja.
Chegou no horário marcado no OdesBar e pediu um drink, enquanto procurava Kadu.
Mas o tempo passou e ele não apareceu.
Didi não acreditava no que estava acontecendo. Porque, porque, porqueeeeeeeeeee comigo???????
Quase bêbada, escuta uma sussuro quase melancólico no seu ouvido esquerdo:
"Oi, tá sozinha?"
"Pra sempreeee, ai meu Deus, ai meu Deeeeus" (mas isso ela só pensou) - "Acho que sim."
"Posso te pagar a próxima bebida?"
"Aham"
 Daí pra frente ela relaxou. Conversou com o rapaz até as 2h da madrugada sem olhar pro relógio nem pra porta uma vezinha sequer. Ele também se entrgou ao papo.
Foi levar ela no táxi (essa é uma história politicamente correta) e deu um beijo no canto da boca.
Quase sem jeito, ele pede o telefone dela. É quando percebe que não sabe nem o nome daquela mulher.
Ela responde: "Diana. E o teu?"
Carlos Eduardo. "Te ligo tá gata?"
"Aham"
E a noite termina....
Mas antes de dormir, Carlos Eduardo pensa: "Que mulher SENSACIONAL eu conheci hoje. Pena que não encontrei meu all star laranja... e que merda ter esquecido de lavar a camiseta verde musgo... E pensar que eu perdia tempo na internet com uma criança que não teve coragem de aparecer..."
Mas... Diana é mulher.
E antes de dormir ela pensa: "Até gostei do Carlos Eduardo... Mas é o Kadu que eu AMOOOOO... porque, porque, porqueeeeeeee ele não me quer?????"

domingo, 4 de setembro de 2011

Um domingo qualquer

Domingo tem fama de mau. Sempre foi assim.
Todos anseiam pelo final de semana, mas não pelo domingo. Sexta é dia de festa, sábado só alegria. Mas no domingo tem Faustão e nada pode ser mais deprimente.
Domingo é dia de preguiça, ressaca muitas vezes.
Mas hoje o domingo foi de sol e calor. Foi um belo domingo para um domingo qualquer.
Coloquei na minha cabeça hoje que domingo é dia bom. Dia de curtir os amigos, sentar na praça e papear. Curtir o restinho do final de semana antes da entrega ao trabalho e à rotina semanal.
É dia também de fazer planos. Organizar na mente a semana que se quer pôr em prática.
Basta ficar longe do Faustão e o domingo deixa de ser encerramento pra se tornar recomeço.
Belos domingos me esperam e vou aproveitá-los todos.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Os "recursos" femininos.

Vou te ensinar um pouquinho sobre o Sistema Recursal Brasileiro. Com palavras que juro, tu vais entender. Prometo não usar o "juridiquês" mais do que o necessário.
O rapazote chega a uma decisão. É o fim do relacionamento.
Inconformada, ela não aceita que é o fim. Quer entender. Tem algo ali que não ficou bem explicado, em vários momentos ele se contradisse. Omitiu pontos importantes e em outros deixou tudo muito obscuro.
Ok, nem tudo está perdido. Ela opõe Embargos de Declaração.
Ele, por pura obrigação e sem cobrar nada por um "dever" que ainda reconhece, concorda em ouvir as razões.
Mas como na maioria dos casos, diz que não é caso de embargos. A decisão está embasada, ainda que ela não concorde com os fundamentos . Se pretende o reexame da matéria, deve manejar o recurso cabível.
De posse disso, ela decide agravar. Pra isso precisa recolher as custas e juntar todas as cópias - provas de que aquela relação existia. Vai à instância superior e tenta uma reversão por quem manda mais (os pais).
Eles não ficam satisfeitos, uma vez que possuem outros tantos processos pra decidir. Mas, presentes os requisitos - a verossimilhança das alegações (ela de fato acredita no que fala e é capaz de convencer) e a possibilidade de dano irreversível ou de difícil reparação (ao coração da moça, à psique ou mesmo ao estômago, já que ela não come há dias) - vêm-se obrigados a analisar o caso a fim de evitar possível cerceamento de defesa.
Eles reanalisam tudo, mas no final das contas, entendem que o juiz da causa tinha razão. Falam com jeitinho, mas em resumo, siga sua vida querida. Negaram provimento.
Ela até poderia espernear e tentar novamente os declaratórios, mas de pouco iria adiantar.
Assim, com a matéria pra lá de prequestionada, ela se aventura aos Tribunais Superiores - os amigos.
O custo é bem mais alto, mas eles têm fama de tudo saber. Certamente serão justos.
Bem, deveriam ser.
Todavia, o que acontece de fato, é que eles fazem de tudo pra não receber o recurso dela. Tentam negar seguimento. Mas ela agrava novamente e o recurso sobe, enfim.
Agora é só esperar. Mas senta querida, porque vai demorar. Com alguma sorte eles julgarão antes da perda de objeto.
E como usual, nunca, jamais, reverterão a causa a teu favor. O contrário até pode acontecer.
Só que durante todo esse tempo, o processinho principal continuou rolando e enfim, veio a sentença.
Depois de reler incontáveis vezes, ela se convence de que o juiz confirmou o que havia decidido antecipadamente.
Desesperançada ela sabe que ainda cabe recurso.
Mas aí meu bem, já é apelação!!!!

domingo, 28 de agosto de 2011

O amor em que eu acreditava...

Sonhei durante anos com um amor completo. Um companheiro, um amigo. Alguém que dspertasse os melhores sentimentos em mim.
Queria cuidado, ma queria sinceridade também. Queria sexo, mas queria amor acima de tudo.
Fui enganada pela vida.
Ela me deu tudo isso, sem dizer que, diferente dos filmes, nem todo amor é pra sempre.
Arrancou do meu peito o sentimento mais lindo que eu já senti. No lugar dele ficou um vazio que nada preenche. Ficou a sensação de que isso não existe e que a maior busca do ser humano é inalcançável.
Não acredito no amor. Não poderia mais.
Tudo o que eu pensei que ele fosse, o amor, se mostrou mentira. Olho pros casais de hoje e secretamente rezo pra que eles nunca percebam que esse sentimento é ilusão. Só assim eles vivem felizes pra sempre.
Pra mim, confesso, é complicado. Cresci com o amor, fui amada em diferentes momentos da vida e em diferentes intensidades. Mas tudo acabou e eu já não consigo ver verdade em nada.
Me perguntam se eu quero amar de novo e imediatamente respondo que não. Nunca mais.
Não quero ter medo de novo, não quero dar armas pra ninguém me destruir.
O sentimento mais lindo do mundo se transformou no mais feio. É hoje mágoa, ressentimento. Uma completa e irreversível incompreensão do ser humano. Acho que esse "amor" me mudou pra sempre. Acabou com o sonho que eu cultivei ainda criança e me deixou só o pesadelo da vida adulta.
O que será que me aguarda ali na frente? Só consigo pensar em trabalho.
Tudo à minha volta parece desmoronar lentamente. E eu sei que quando a dor passar as coisas voltarão às suas formas e cores. Mas não o meu coração.
Sei que eu vou ficar bem, mas nunca mais como antes.
E é triste. É  só essa tristeza densa e pesada que eu sinto hoje.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O meu talento.

Pensei inúmeras vezes sobre o tema e não sabia dizer qual era o meu talento.
Hoje, passado o desespero da tormenta, tive essa resposta.
Tenho talento pra viver. E só isso basta.
Nas maiores rasteiras que a vida me deu, olhei bem fundo nos olhos dela e enxerguei os meus.
Posso até sofrer abalos na estrutura, me ver obrigada a me reinventar. Mas tá tudo bem, eu vou seguir em frente sempre.
Tenho um vício quase frenético de inventar sonhos sem deixar de lado a realidade. Bom que seja assim.
Tenho vocação pra ser feliz. Me acompanha?

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Poetas de verdade

Como é bom ler textos como esse que segue. Precisava registrar.


Tua caminhada ainda não terminou....



A realidade te acolhe


dizendo que pela frente


o horizonte da vida necessita


de tuas palavras


e do teu silêncio.






Se amanhã sentires saudades,


lembra-te da fantasia e


sonha com tua próxima vitória.


Vitória que todas as armas do mundo


jamais conseguirão obter,


porque é uma vitória que surge da paz


e não do ressentimento.






É certo que irás encontrar situações


tempestuosas novamente,


mas haverá de ver sempre


o lado bom da chuva que cai


e não a faceta do raio que destrói.






Tu és jovem.


Atender a quem te chama é belo,


lutar por quem te rejeita


é quase chegar a perfeição.


A juventude precisa de sonhos


e se nutrir de lembranças,


assim como o leito dos rios


precisa da água que rola


e o coração necessita de afeto.






Não faças do amanhã


o sinônimo de nunca,


nem o ontem te seja o mesmo


que nunca mais.


Teus passos ficaram.


Olhes para trás...


mas vá em frente


pois há muitos que precisam


que chegues para poderem seguir-te.
 
(Charles Chaplin)
 

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Guerra dos Sexos

Vinha ingenuamente acreditando na igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Fui capaz de discutir, argumentar, me enfezar a valer com quem ousasse me dizer que ainda existe sim diferença.
Mas, há alguns dias, me surpreendi com o seguinte pensamento: "Se eu fosse homem, provavelmente estaria melhor colocada no escritório..."
Ouvi um grito interno!
Mas já não adiantava, o raciocínio se formou na minha cabeça e agora não tem volta, não consigo mais defender minhas teorias antigas.
Homens são cúmplices uns dos outros. Trocam confidências, comentários sobre estagiárias gostosas, festas escondidas das namoradas, futebol. Eu até tento me enturmar. Conheço o vocabulário, cresci em minoria, rodeada pelas conversas masculinas dos meus irmãos e seus amigos. Ouvia até os comentários mais sujos, aqueles que eles não falam na frente de NENHUMA mulher, embora isso tenha sido no tempo em que eles também me viam como homem.
Posso discutir futebol, e sei a hora de calar a boquinha também. Mas hoje já sou nivelada como "fêmea" e meus comentários sequer são considerados nesse aspecto.
Amo ter vindo ao mundo no gênero feminino, mas detesto ser taxada. Reviro os olhos quando me dizem que algo que eu fiz é bem coisa de mulher. Não gosto do rótulo, não adianta.
Entretanto, devo dizer, que já me aproveitei também dessa condição (ui).
Tarefas bem difíceis me foram passadas e, confesso, usei todo o meu charme feminino (da época) para garantir a boa vontade de colaboradores de órgãos públicos.
E hoje, pensando em tudo isso, me deparo com uma realidade ainda mais revoltante. Se o fato de ser mulher já atrapalha as vezes, quando se é gorda, as coisas ficam quase impossíveis.
Meu esforço pra mostrar competência é dobrado, portanto me desculpem se preciso de um pouco mais de sono do que a maioria dos mortais.
Se uma mulher bonita fala, os homens em volta podem até não estar muito interessados no tema, mas prestam atenção pra ganhar pontos. Se ela pede algum favor, não desistem antes de conseguir atender, podem ser mesmo incansáveis.
Já a gordinha, ah essa sofre. Tem que gritar se quiser ser ouvida, e mesmo assim, não há garantias de sucesso. Se ela for competente, pensam: "também, ia fazer o que além de estudar?" Se ela sente fome, "a gorda não sai da cozinha". Se obtém êxito em uma tarefa, "devem ter ficado com medo". E se ela ousar falar a mesma língua dos homens, pronto, já virou um deles.
Por tudo isso, revi minhas prioridades.
Vi que não adianta dedicar 100% do tempo ao escritório. A academia nesse momento é fundamental. A gorda, embora grande, as vezes fica invisível.
E não me venha falar em igualdade, porque o homem gordo geralmente é o mais amigo do chefe.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Curioooosa

Sou curiosa. Sou mesmo, bastante curiosa.
Dizem por aí que curiosidade é um defeito que só perde pra ansiedade.
Pois bem, permitam-me discordar.
Em determinado setores da vida, pode até ser inconveniente possuir tão peculiares características. Mas eu, que vivo com ambas, consigo enxergar pontos positivos - preciso fazer do limão uma limonada.
Profissionalmente, acredito que a minha curiosidade e esse desejo de ver as coisas em constante mutação têm me rendido bons frutos.
Trabalho com direito. Com processos.
Pergunte a qualquer um na rua, pouco ou muito instruído, e ouvirás a mesma resposta sobre os problemas do judiciário: Nada se resolve, a justiça é muito lenta, etc, etc.
De fato, são meias verdades que atormentam a vida de quem busca seus direitos e de quem instrumentaliza essa busca.
Mas os meus processos andam. E se resolvem sim.
Faço muito bem (com o perdão da falta de modéstia) a minha parte na brincadeira. Tudo por conta da curiosidade.
Se faço algum requerimento, por mais simples que seja, preciso saber logo o que foi decidido ou isso me consome.
Se as coisas não andam rápido, dou um jeito de agilizar porque fico ansiosa pelo desfecho do meu esforço mental. O tempo que eu gasto construindo ou pesquisando teses, tem que valer a pena. Se não, eu perco o sono. E isso não deve acontecer.
E tem também o desejo quase egoísta de passar a boa notícia (quando ela vem) pro cliente.
Tenho certeza que não é o amor - que eu nem sei se tenho pelo direito - que me faz ter tanta disposição no trabalho, mas é sim, a ânsia por um final feliz.
Já disse que sou noveleira?

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Situação difícil

Essa aconteceu em um momento realmente complicado para uma mulher, mas vale o registro.
O texto que segue foi um e-mail que eu enviei para minhas queridas doidinhas na tentativa de dividir meu nervosismo com o ocorrido.

Preciso dividir com vocês esse momento de desespero!


Vou contar o que aconteceu:

Estava eu aqui no escritório, bem tranquilinha, quando resolvi fazer um chimarrão.


Fui colocar água para esquentar. Mas aconteceu uma coisinha... Derrubei um pouquinho da água no chão.


Como eu sou muito querida, peguei o pano para limpar e me agachei.


Foi quando aconteceu o pior.


A minha calça descosturou simplesmente até a METADE da bunda!!!


Desesperada, vim me esgueirando pelas paredes até a minha mesa e sentei.


Agora estou aqui, com um sorrisinho no rosto. As pessoas me olham e pensam que estou feliz. Mal sabem elas que esse sorriso é o nervosismo antevendo as possíveis situações vexatórias a que serei submetida.


Se alguém me solicitar no andar de cima, já era.


Não posso levantar para ir ao banheiro.


Não posso tomar uma água.


Não posso buscar a água do chimarrão que coloquei para esquentar.


Não posso fazer o meu lanche da tarde. Acreditem, essa parte é importante.


Por fim, tenho que ser a última a sair daqui.


Quando eu estiver na rua, liberdade.


Hoje é o dia EMO e vão achar que estou lançando moda.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Lembranças da infância

Não sei se pelos últimos acontecimentos do mundo, ou se simplesmente como uma espécie de flashback, fiz uma busca por lugares e situações da minha infância.
Dizem que a criança que um dia fomos diz muito do adulto em que nos transformamos... acho que faz sentido.
Lembrei de muitas coisas que vivi nessa que é a melhor fase da vida, mas uma - em especial - me fez pensar.
Lembro que era aniversário de alguém, provavelmente algum colega do colégio. Busco pela memória, mas não consigo lembrar os detalhes...
Só sei que, em um dado momento, alguém (adulto) convidou a mim e aos meus amiguinhos para dar uma volta de Jipe. Éramos muitos, mas eu consegui ficar no lugar mais desejado: Empuleirada no banco de trás, presa apenas pelos meus dedinhos que seguravam na parte de cima.
Não sei se é possível visualisar a cena, mas posso assegurar que não era nada prudente.
Lembro que eu tive a nítida sensação de que aquilo não era certo, mas, frente à euforia do momento, me entreguei ao que o diabinho da minha mente mandava e fui assim mesmo.
Não posso negar que me diverti. Me entreguei ao momento e senti até um friozinho na barriga.
Mas se parasse por aí, provavelmente eu sequer guardaria recordações desse momento...
Acontece que, quando eu chegava de volta ao lugar da festinha, vi os rostos nada contentes dos meus pais que vinham para me buscar.
Eles, obviamente, não aprovaram o "passeio" e iniciaram um discurso caloroso sobre o perigo a que eu tinha me submetido.
O que eu lembro é exatamente isso. A decepção nos rostos deles com a minha irresponsabilidade. Lembro ainda, o quanto eu desejei voltar no tempo e não ter ido junto no Jipe.
E hoje, vejo bastante da criança que eu fui. Procuro sempre avaliar se o que eu pretendo fazer poderá trazer de volta aquele olhar de decepção.
A diferença é que hoje, sempre que eu conseguir identificar que posso estar agindo errado, procuro mudar o rumo, fazer diferente.
Acho que, no final das contas, o passeio de Jipe era mais do que uma simples diversão. Era necessário pra eu ser quem sou. Assim como tudo.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Histórias de amor

Histórias de amor mal resolvido sempre me deixam um pouco melancólica.
Não sei se é a proximidade do tema - que pode acontecer com qualquer um - ou se eu simplesmente sou a última romântica, mas sempre que ouço falar de um "grande amor" que não deu certo, chego a suspirar imaginando a nostalgia que fica com aqueles que tiveram seus corações partidos.
Também gosto de ouvir relatos dos relacionamentos sólidos, das reconquistas diárias dos casais que se sabem ali, quase intocáveis na certeza de que foram feitos um para o outro.
Mas não adianta, o que me instiga mesmo são aqueles relacionamentos que tinham tudo pra dar certo, mas simplesmente não deram.
Em tempos de orkut, facebook e assemelhados, essa posição de observadora tem sido bastante facilitada. E eu não nego a curiosidade quase mórbida que me leva a procurar indícios de um amor perdido nos perfis dos meus amigos.
Estranho ou não, mas vejo uma beleza tímida naquela paixão que não deu certo. Não me pergunte o porquê. Não saberia explicar.
Nesses desencontros da vida, sempre alguém sai mais ferido ao acordar do sonho. E como disse, hoje os tempos são outros. Nada de cartas para expressar o desgosto, nada de conversas para expor pontos de vista.
Hoje a dor de um relacionamento desfeito é exposta a quem tiver interesse em procurar.
Recados são passados pela internet, sob a falsa e ingênua desculpa do "quem sou eu" ou "em que estou pensando agora". Na verdade todos sabem quem é o destinatário da mensagem, mas ninguém fala.
Fico triste com casais bonitinhos que descobrem que o amor não é o bastante para ficarem juntos, para superarem as divisas territoriais. De repente eles percebem que por mais que se gostem, no final do mês o salário suado não vai ser suficiente para que se encontrem. E aí o amor vai acabando. Ou aumentando... Mas se é inviável, fazer o que?
Me corta o coração a notícia de um homem chorando ao perceber que aquela que ele amava, já não mais amava ele. Ele diz que não quer festa, que quer um amor pra vida inteira. Diz que cansou das madrugadas, pois elas só trazem relacionamentos vazios e ele é homem de uma mulher só.
Ela? Ninguém sabe, a última vez que foi vista estava na "rave", alucinada, curtindo muito o fato de ser solteira.
Também lamento pelos que se descobrem diferentes um do outro assim, não mais que de repente. Um dia estão dizendo "eu te amo", no outro já nem conseguem lembrar por que foi mesmo que se aproximaram.
E com tantas e tantas histórias de encontros e desencontros (como já dizia Fernando Sabino), vem aí o dia dos namorados, só pra dar mais uma pisadinha nesses corações feridos.
Eu me compadeço, desejo que as feridas se curem, que todos sejam felizes.
Tenho o meu amor do meu lado pra passar esse dia 12 e sou muito feliz que seja assim.
Mas confesso, essas histórias complicadas exercem um certo fascínio sobre a minha pessoa. Sou noveleira, gosto de acompanhar os desfechos.

domingo, 23 de maio de 2010

Ah, os casamentos!

O ano de 2010 está trazendo consigo momentos de mudanças nas vidas dos que me cercam.
Já na virada de 2009, eu tinha agendados três casamentos importantes.
Digo importantes não porque os noivos sejam celebridades ou coisa que o valha, mas porque são pessoas muito especiais na minha vida.
No decorrer dos meses passados até aqui, mais outros dois surgiram, além de um noivado e uma possibilidade de "juntar os trapinhos" de amigos também muito queridos.
Detesto confessar, mas isso tudo mexe bastante comigo.
Eu, como a maioria das mulheres, também sonho com esse dia. Fico idealizando o pedido, a decoração da igreja, os detalhes da festa e a cara do meu dia-a-dia como uma mulher casada.
Mas o fato é que há alguns poucos anos, eu sequer imaginava a possibilidade de me ver casada. Tinha medo de que um dia fosse obrigada a fazê-lo em nome de tradição e pressões familiares, mas só de pensar, ficava arrepiada.
Hoje me vejo discorrendo sobre vestidos de noiva, dando dicas sobre cerimonialistas de quem eu ouvi falar bem, falando sobre as flores e os pequenos detalhes diferentes que se pode acrescentar na festa. Até sobre o preço do buffet eu sou capaz de opinar.
Mas o fato é que essa "experiência" decorre exclusivamente da observação.
Escuto as noivas falarem e fico ali, fingindo que me enquadro naquele assunto.
Não sinto inveja, porque isso seria absurdo. Mas fico com aquela perguntinha dentro de mim: Será que eu também vou estar envolvida com essas 1001 questões daqui há um tempo?
Não tenho resposta para essa pergunta.
Enquanto para muitas, a dificuldade está em arranjar um pretendente capaz de transformar o sonho em realidade, a minha está em fazer da ralidade um sonho.
Já tenho o meu amor, e sei que é ao lado dele que desejo passar o resto dos meus dias. Acho que ele pensa da mesma forma também.
O que nos falta é um elemento puramente prático, mas sem o qual não é possível dar o próximo passo. Falta estabilidade financeira - artigo em extinção no mercado.
Faço piada com a situação e vejo olhos complacentes me dizendo que o meu dia vai chegar.
Mas entendam, não se trata de desespero. Ao menos não ainda.
Trata-se apenas de uma mulher ansiosa, desgostosa com o fato de que é preciso um pouco mais de paciência e muito, mas muito trabalho para alcançar esse objetivo.
Na época dos nossos pais as coisas talvez fossem mais fáceis. Em geral os pais davam aquele "empurrãozinho" para despachar as filhotas aos cuidados nem sempre tão zelosos dos noivos.
Não estou certa de que essa fórmula seja perfeita, considerando a quantidade de casamentos desfeitos e ex-mulheres entregues à própria sorte, tendo que aprender um ofício ou, pior, submeter-se às mesadas dos maridões.
O fato é que não existe receita infalível. Para um casamento acontecer, dar certo e ser eterno, é preciso uma conspiração dos astros e muita força de vontade do casal.
Por ora, fico na audiência, vibrando e torcendo muito pelas conquistas dos meus novos casais.
Viva!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O futuro impresso na Borra do Café

Essa história já é um pouco antiga, mas vale a pena ser lembrada.
Há alguns meses estive em um restaurante que oferecia um serviço inusitado. Ali em um cantinho, nem tão escondido, mas tampouco na vitrine, estava uma moça, de longos cabelos negros e aparência amigável, que te convidava (não no sentido literal), a dar uma chegada no futuro através da Borra do Café.
Mas quanto custa, quis saber eu.
A leitura não custa nada, basta você pedir o café.
Ahammmm, tá, paguei então o café mais caro da minha vida, me enchi de coragem e fui ouvir o que aquela distinta senhora tinha a me dizer.
Estava com mais três amigas, no melhor estilo "Sex in The City" que se possa imaginar. As três foram antes, uma de cada vez e, em cada rosto que retornava, lia-se a expressão de que aquela moça realmente sabia das coisas.
Pois bem, lá fui eu.
Ela me olhava e olhava pra borra. Me olhava de novo.
Falou coisas sem sentido, totalemte fora do meu contexto.
Mas fui complacente, deixei ela pensar que aquilo estava fazendo sentido para mim.
Na verdade não tirei nada de proveitoso do que a "vidente" me disse.
Legal mesmo foi o que aconteceu depois.
Como ela trouxe à tona aspectos da vida de toda a mulher adulta, eu e minhas três doidinhas passamos a filosofar sobre os temas propostos.
Posso dizer que tive uma conversa gostosa como há tempos não experimentava.
Falamos sobre angústias comuns a todas, perspectivas de futuro, as mudanças do mundo moderno, histórias de amor bem e mal sucedidas.
No final da noite, saí de lá com a sensação de uma sessão de terapia bem aproveitada. Com a agradável tonturinha causada pela cerveja que degustamos ao longo do papo.
Se a Borra do Café dizia alguma coisa eu não sei. O que sei é que ela proporcionou descobertas em todas nós e abriu um pouco os horizontes para o futuro.
Acho que o futuro é algo mutável, depende sempre do presente, do aqui e agora. Não acredito que alguém tenha o poder de dizer o que vai acontecer na minha vida amanhã, exceto eu mesma.
E sendo assim, uma boa olhada pra dentro, uma análise verdadeira do que eu sinto hoje, só pode fazer bem.
Um brinde então, à Borra do Café! 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Um texto livre...

Hoje me deu vontade de escrever um pouco, mas não sei muito bem sobre o quê.
Percebi que muitas vezes é a inexistência de um assunto específico que me impede de expressar qualquer coisa.
Então hoje decidi: vou escrever um texto livre, sem pretensão de tratar de algum tema relevante.
Aliás, é essa mesma inexistência de assuntos que fulmina ou embeleza determinadas relações.
Às vezes, o vazio deixado por um longo silêncio em meio a uma discussão diz mais do que gostaríamos.
Outras tantas, o conforto em estar ao lado de alguém sem dizer uma palavra sequer, é tudo de que se precisa.
Não raro, a ausência de uma conversa indica distância, falta de intimidade.
Mas não sempre. Pode ser que indique aconchego, confiança.
Tenho pra mim que, na ausência de algo produtivo pra falar, melhor mesmo é ficar quieto.
Mas será mesmo que eu penso isso?
Bom, o fato é que eu gostaria de pensar, mas confesso que digo um sem número de besteiras por dia. Em especial quando estou ao lado daqueles que me bastam com o seu silêncio.
A verdade é que muitas vezes não dou conta de expressar em palavras os infinitos pensamentos que me vêm à cabeça e, de forma aleatória, posso sim parecer meio doida.
E pra falar francamente, a possibilidade de ser taxada como insana até me seduz muitas vezes. Mas infelizmente, me sobram palavras sem nexo e me faltam atitudes ousadas.
Bem que eu gostaria de colocar uma mochila nas costas e tratar de conhecer o mundo. Puxar papo com desconhecidos só pra me sentir um pouco mais encaixada na vida. Dançar enlouquecidamente sem me preocupar com o peso sobre os joelhos. Pintar o cabelo de vermelho...
Bom, talvez isso não.
A louca fica aqui presa dentro de mim, mas segue adorando ouvir as histórias dos corajosos.
E as vezes até me engana com uma voz que vem lá do fundo e me diz, ah! Isso eu também faria!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Adeus ano velho.

As festas de final de ano sempre me emocionaram.
Não sei se é pela reunião de pessoas queridas, pelos votos de felicidade, pela aura de paz que se cria, ou simplesmente por esse sentimento bonito chamado esperança, que aparece, mesmo que involuntariamente, nos olhos de todos a cada recomeço.
Ao mesmo tempo, teimo em sentir um apertinho no peito, ainda que leve, indicando uma certa nostalgia pelo que já foi, pelo presente que em um passe de mágica se transforma em passado.
No último dia do ano, costumo lembrar do que passou. Nem sempre de forma crítica, mas geralmente com um olhar que mais se assemelha ao de um expectador assistindo aos melhores momentos de uma vida.
Faço as minhas resoluções de ano novo e desejo levar um pouco do velho pra sempre comigo.
Acho que tenho conseguido até agora. Guardar o que foi bom e mudar o possível do que não me fez assim tão feliz.
Mas é difícil explicar o sentimento que vem, quase como uma onda, quando o ponteiro se aproxima da meia noite no dia 31 de dezembro. Acho que é um misto de alegria e saudade, uma força que me joga pra frente e me faz acreditar que o ano que chega vem trazendo momentos felizes e comemorações barulhentas.
Existe um misticismo que faz de uma noite o marco divisor. Depois das doze badaladas, não será apenas o dia primeiro. Será o Primeiro Dia.
E é isso que deixa tudo bonito e especial. É essa idéia de renovação, de recomeço.
É como se fosse possível reinventar a nossa história, traçar novos rumos e seguir outros caminhos, com diferentes perspectivas, mas com a vantagem de ter ao lado os bons e velhos.
Acredito que grande parte da beleza desse ritual é poder parar, pensar e, depois disso, fazer planos. Criar fantasias e ralidades novas e assim, ir se redescobrindo e reinventando.
Em 2010, eu quero mais do mesmo. Mas também quero mudar, quero muito fazer diferente.
Quero viver, aproveitar os dias e as manhãs. Quero praticar um esporte, crescer como pessoa. Quero cultivar meus amigos e fazer com que eles saibam o quanto são importantes. Quero estar próxima da minha família e do meu amor. Quero dançar.
E quero poder olhar pra trás, e mais uma vez, sentir saudades do que passou.

domingo, 22 de novembro de 2009

Sentindo saudade...

Saudade é um sentimento bonito na essência. Mas dói.
As vezes me pega desprevenida, quando eu pensava já ter aprendido a controlar.
Mas a verdade é que isso não é possível.
Há quem diga que a saudade diminui com o tempo, opinião que eu não divido.
Acho que aprendemos a conviver com ela, guardá-la em um cantinho do coração. Mas vai estar sempre lá.
Hoje, por exemplo, ela resolveu aparecer.
Sinto saudade da minha mãe. Dos abraços sem data especial, do cafuné, dos risos compartilhados. Até das brigas eu tenho saudade hoje.
Me falta o que não me foi permitido viver, dizer, escutar.
Sinto saudade até do que ainda não aconteceu.
De ela estar do meu lado planejando a minha festa de casamento e do beijo antes de eu entrar na igreja.
De ela planejar meu chá de fraldas, segurar os meus filhos no colo e deixar eles fazerem tudo o que eu não deixaria.
De ela conhecendo o meu amor e dizendo da certeza de que eu vou ser feliz com ele.
E tenho medo. Medo de decepcionar e não poder pedir desculpas.
Medo de esquecer o som da voz, o cheiro, o sorriso, o jeito.
Medo que o tempo passe e as fotos que eu guardo se tornem pouco pra manter ela na minha vida.
Medo de nunca mais encontrar.
Um medinho bobo, mas real, de um dia ficar completamente sozinha.
Como diz a música, "onde você estiver, não se esqueça de mim..."