domingo, 28 de agosto de 2011

O amor em que eu acreditava...

Sonhei durante anos com um amor completo. Um companheiro, um amigo. Alguém que dspertasse os melhores sentimentos em mim.
Queria cuidado, ma queria sinceridade também. Queria sexo, mas queria amor acima de tudo.
Fui enganada pela vida.
Ela me deu tudo isso, sem dizer que, diferente dos filmes, nem todo amor é pra sempre.
Arrancou do meu peito o sentimento mais lindo que eu já senti. No lugar dele ficou um vazio que nada preenche. Ficou a sensação de que isso não existe e que a maior busca do ser humano é inalcançável.
Não acredito no amor. Não poderia mais.
Tudo o que eu pensei que ele fosse, o amor, se mostrou mentira. Olho pros casais de hoje e secretamente rezo pra que eles nunca percebam que esse sentimento é ilusão. Só assim eles vivem felizes pra sempre.
Pra mim, confesso, é complicado. Cresci com o amor, fui amada em diferentes momentos da vida e em diferentes intensidades. Mas tudo acabou e eu já não consigo ver verdade em nada.
Me perguntam se eu quero amar de novo e imediatamente respondo que não. Nunca mais.
Não quero ter medo de novo, não quero dar armas pra ninguém me destruir.
O sentimento mais lindo do mundo se transformou no mais feio. É hoje mágoa, ressentimento. Uma completa e irreversível incompreensão do ser humano. Acho que esse "amor" me mudou pra sempre. Acabou com o sonho que eu cultivei ainda criança e me deixou só o pesadelo da vida adulta.
O que será que me aguarda ali na frente? Só consigo pensar em trabalho.
Tudo à minha volta parece desmoronar lentamente. E eu sei que quando a dor passar as coisas voltarão às suas formas e cores. Mas não o meu coração.
Sei que eu vou ficar bem, mas nunca mais como antes.
E é triste. É  só essa tristeza densa e pesada que eu sinto hoje.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O meu talento.

Pensei inúmeras vezes sobre o tema e não sabia dizer qual era o meu talento.
Hoje, passado o desespero da tormenta, tive essa resposta.
Tenho talento pra viver. E só isso basta.
Nas maiores rasteiras que a vida me deu, olhei bem fundo nos olhos dela e enxerguei os meus.
Posso até sofrer abalos na estrutura, me ver obrigada a me reinventar. Mas tá tudo bem, eu vou seguir em frente sempre.
Tenho um vício quase frenético de inventar sonhos sem deixar de lado a realidade. Bom que seja assim.
Tenho vocação pra ser feliz. Me acompanha?

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Poetas de verdade

Como é bom ler textos como esse que segue. Precisava registrar.


Tua caminhada ainda não terminou....



A realidade te acolhe


dizendo que pela frente


o horizonte da vida necessita


de tuas palavras


e do teu silêncio.






Se amanhã sentires saudades,


lembra-te da fantasia e


sonha com tua próxima vitória.


Vitória que todas as armas do mundo


jamais conseguirão obter,


porque é uma vitória que surge da paz


e não do ressentimento.






É certo que irás encontrar situações


tempestuosas novamente,


mas haverá de ver sempre


o lado bom da chuva que cai


e não a faceta do raio que destrói.






Tu és jovem.


Atender a quem te chama é belo,


lutar por quem te rejeita


é quase chegar a perfeição.


A juventude precisa de sonhos


e se nutrir de lembranças,


assim como o leito dos rios


precisa da água que rola


e o coração necessita de afeto.






Não faças do amanhã


o sinônimo de nunca,


nem o ontem te seja o mesmo


que nunca mais.


Teus passos ficaram.


Olhes para trás...


mas vá em frente


pois há muitos que precisam


que chegues para poderem seguir-te.
 
(Charles Chaplin)
 

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Guerra dos Sexos

Vinha ingenuamente acreditando na igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Fui capaz de discutir, argumentar, me enfezar a valer com quem ousasse me dizer que ainda existe sim diferença.
Mas, há alguns dias, me surpreendi com o seguinte pensamento: "Se eu fosse homem, provavelmente estaria melhor colocada no escritório..."
Ouvi um grito interno!
Mas já não adiantava, o raciocínio se formou na minha cabeça e agora não tem volta, não consigo mais defender minhas teorias antigas.
Homens são cúmplices uns dos outros. Trocam confidências, comentários sobre estagiárias gostosas, festas escondidas das namoradas, futebol. Eu até tento me enturmar. Conheço o vocabulário, cresci em minoria, rodeada pelas conversas masculinas dos meus irmãos e seus amigos. Ouvia até os comentários mais sujos, aqueles que eles não falam na frente de NENHUMA mulher, embora isso tenha sido no tempo em que eles também me viam como homem.
Posso discutir futebol, e sei a hora de calar a boquinha também. Mas hoje já sou nivelada como "fêmea" e meus comentários sequer são considerados nesse aspecto.
Amo ter vindo ao mundo no gênero feminino, mas detesto ser taxada. Reviro os olhos quando me dizem que algo que eu fiz é bem coisa de mulher. Não gosto do rótulo, não adianta.
Entretanto, devo dizer, que já me aproveitei também dessa condição (ui).
Tarefas bem difíceis me foram passadas e, confesso, usei todo o meu charme feminino (da época) para garantir a boa vontade de colaboradores de órgãos públicos.
E hoje, pensando em tudo isso, me deparo com uma realidade ainda mais revoltante. Se o fato de ser mulher já atrapalha as vezes, quando se é gorda, as coisas ficam quase impossíveis.
Meu esforço pra mostrar competência é dobrado, portanto me desculpem se preciso de um pouco mais de sono do que a maioria dos mortais.
Se uma mulher bonita fala, os homens em volta podem até não estar muito interessados no tema, mas prestam atenção pra ganhar pontos. Se ela pede algum favor, não desistem antes de conseguir atender, podem ser mesmo incansáveis.
Já a gordinha, ah essa sofre. Tem que gritar se quiser ser ouvida, e mesmo assim, não há garantias de sucesso. Se ela for competente, pensam: "também, ia fazer o que além de estudar?" Se ela sente fome, "a gorda não sai da cozinha". Se obtém êxito em uma tarefa, "devem ter ficado com medo". E se ela ousar falar a mesma língua dos homens, pronto, já virou um deles.
Por tudo isso, revi minhas prioridades.
Vi que não adianta dedicar 100% do tempo ao escritório. A academia nesse momento é fundamental. A gorda, embora grande, as vezes fica invisível.
E não me venha falar em igualdade, porque o homem gordo geralmente é o mais amigo do chefe.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Curioooosa

Sou curiosa. Sou mesmo, bastante curiosa.
Dizem por aí que curiosidade é um defeito que só perde pra ansiedade.
Pois bem, permitam-me discordar.
Em determinado setores da vida, pode até ser inconveniente possuir tão peculiares características. Mas eu, que vivo com ambas, consigo enxergar pontos positivos - preciso fazer do limão uma limonada.
Profissionalmente, acredito que a minha curiosidade e esse desejo de ver as coisas em constante mutação têm me rendido bons frutos.
Trabalho com direito. Com processos.
Pergunte a qualquer um na rua, pouco ou muito instruído, e ouvirás a mesma resposta sobre os problemas do judiciário: Nada se resolve, a justiça é muito lenta, etc, etc.
De fato, são meias verdades que atormentam a vida de quem busca seus direitos e de quem instrumentaliza essa busca.
Mas os meus processos andam. E se resolvem sim.
Faço muito bem (com o perdão da falta de modéstia) a minha parte na brincadeira. Tudo por conta da curiosidade.
Se faço algum requerimento, por mais simples que seja, preciso saber logo o que foi decidido ou isso me consome.
Se as coisas não andam rápido, dou um jeito de agilizar porque fico ansiosa pelo desfecho do meu esforço mental. O tempo que eu gasto construindo ou pesquisando teses, tem que valer a pena. Se não, eu perco o sono. E isso não deve acontecer.
E tem também o desejo quase egoísta de passar a boa notícia (quando ela vem) pro cliente.
Tenho certeza que não é o amor - que eu nem sei se tenho pelo direito - que me faz ter tanta disposição no trabalho, mas é sim, a ânsia por um final feliz.
Já disse que sou noveleira?

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Situação difícil

Essa aconteceu em um momento realmente complicado para uma mulher, mas vale o registro.
O texto que segue foi um e-mail que eu enviei para minhas queridas doidinhas na tentativa de dividir meu nervosismo com o ocorrido.

Preciso dividir com vocês esse momento de desespero!


Vou contar o que aconteceu:

Estava eu aqui no escritório, bem tranquilinha, quando resolvi fazer um chimarrão.


Fui colocar água para esquentar. Mas aconteceu uma coisinha... Derrubei um pouquinho da água no chão.


Como eu sou muito querida, peguei o pano para limpar e me agachei.


Foi quando aconteceu o pior.


A minha calça descosturou simplesmente até a METADE da bunda!!!


Desesperada, vim me esgueirando pelas paredes até a minha mesa e sentei.


Agora estou aqui, com um sorrisinho no rosto. As pessoas me olham e pensam que estou feliz. Mal sabem elas que esse sorriso é o nervosismo antevendo as possíveis situações vexatórias a que serei submetida.


Se alguém me solicitar no andar de cima, já era.


Não posso levantar para ir ao banheiro.


Não posso tomar uma água.


Não posso buscar a água do chimarrão que coloquei para esquentar.


Não posso fazer o meu lanche da tarde. Acreditem, essa parte é importante.


Por fim, tenho que ser a última a sair daqui.


Quando eu estiver na rua, liberdade.


Hoje é o dia EMO e vão achar que estou lançando moda.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Lembranças da infância

Não sei se pelos últimos acontecimentos do mundo, ou se simplesmente como uma espécie de flashback, fiz uma busca por lugares e situações da minha infância.
Dizem que a criança que um dia fomos diz muito do adulto em que nos transformamos... acho que faz sentido.
Lembrei de muitas coisas que vivi nessa que é a melhor fase da vida, mas uma - em especial - me fez pensar.
Lembro que era aniversário de alguém, provavelmente algum colega do colégio. Busco pela memória, mas não consigo lembrar os detalhes...
Só sei que, em um dado momento, alguém (adulto) convidou a mim e aos meus amiguinhos para dar uma volta de Jipe. Éramos muitos, mas eu consegui ficar no lugar mais desejado: Empuleirada no banco de trás, presa apenas pelos meus dedinhos que seguravam na parte de cima.
Não sei se é possível visualisar a cena, mas posso assegurar que não era nada prudente.
Lembro que eu tive a nítida sensação de que aquilo não era certo, mas, frente à euforia do momento, me entreguei ao que o diabinho da minha mente mandava e fui assim mesmo.
Não posso negar que me diverti. Me entreguei ao momento e senti até um friozinho na barriga.
Mas se parasse por aí, provavelmente eu sequer guardaria recordações desse momento...
Acontece que, quando eu chegava de volta ao lugar da festinha, vi os rostos nada contentes dos meus pais que vinham para me buscar.
Eles, obviamente, não aprovaram o "passeio" e iniciaram um discurso caloroso sobre o perigo a que eu tinha me submetido.
O que eu lembro é exatamente isso. A decepção nos rostos deles com a minha irresponsabilidade. Lembro ainda, o quanto eu desejei voltar no tempo e não ter ido junto no Jipe.
E hoje, vejo bastante da criança que eu fui. Procuro sempre avaliar se o que eu pretendo fazer poderá trazer de volta aquele olhar de decepção.
A diferença é que hoje, sempre que eu conseguir identificar que posso estar agindo errado, procuro mudar o rumo, fazer diferente.
Acho que, no final das contas, o passeio de Jipe era mais do que uma simples diversão. Era necessário pra eu ser quem sou. Assim como tudo.